No primeiro debate ao Governo do RN, candidatos priorizam picuinhas políticas em vez de apresentar soluções para o povo potiguar.


O primeiro debate eleitoral entre os candidatos ao Governo do Rio Grande do Norte, promovido pela Band RN, deu o pontapé inicial na disputa e mostrou que a campanha estadual promete esquentar.


No entanto, para o eleitor que acompanhou atento em busca de respostas e propostas concretas para o futuro do estado, o encontro deixou a desejar. Em vez de focar nas soluções para os problemas do povo potiguar, o debate entregou mais performance, momentos caricatos e uma troca intensa de acusações entre os postulantes ao poder executivo estadual.

Liderando as pesquisas de intenção de voto, Allyson Bezerra (União Brasil) virou o alvo principal da noite, sendo cobrado diretamente por Álvaro Dias (PL) sobre investigações na saúde de Mossoró e o fornecimento de senhas telefônicas.

Ao se defender, Allyson buscou um xeque-mate ao desafiar os concorrentes a renunciarem às suas candidaturas caso as autoridades não encontrassem irregularidades em suas contas. 

O movimento foi perspicaz na oratória, mas revela um ponto essencial da política: não ter irregularidades constatadas pela Justiça é simplesmente a obrigação de qualquer candidato ficha limpa, e não um feito extraordinário a ser negociado em trocas de renúncias.

Ao mesmo tempo em que atacava, Álvaro Dias também foi encurralado sobre o impacto e a condução de obras na capital, como a engorda de Ponta Negra. Enquanto isso, Cadu de Lula (PT) tentou focar na defesa do legado da atual gestão estadual e Robério Paulino (PSOL) acabou protagonizando episódios caricatos que viraram piada nas redes sociais, como a expressão "farmar aura".

No fim das contas, não há como apontar um vencedor. Nenhum dos candidatos conseguiu se destacar de forma clara como o mais preparado para governar o RN, pois priorizaram o embate direto em vez de apresentar a viabilidade de seus projetos.

Resta saber se essa postura mais combativa terá força para alterar o cenário das próximas pesquisas eleitorais, mas o sinal de alerta já foi dado: para o primeiro debate da corrida ao governo, sobrou barulho e faltou profundidade.