Antigamente, o calor das discussões políticas no Brasil fervia mesmo era nas disputas para prefeito ou governador, mas o cenário mudou drasticamente. Hoje, a polarização está tão calcificada no plano nacional que as conversas de calçada, as esquinas e os grupos de WhatsApp só respiram a eleição presidencial de outubro.
O clima é de prontidão: basta alguém manifestar voto em Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para que um eleitor de Flávio Bolsonaro (PL) se manifeste de imediato, criando um ambiente de debate incessante onde quem ainda está indeciso acaba virando o fiel da balança sob intensa pressão de ambos os lados.
De um lado, temos o veterano Lula, um político calejado que tenta o feito histórico de um quarto mandato, mas que enfrenta o desafio de provar que o tempo de casa ainda é um trunfo e não um fator de desgaste.
Do outro, surge Flávio Bolsonaro, que apesar de carregar o sobrenome do pai inelegível, adota uma postura considerada mais centrada por alguns setores, o que pode facilitar aglutinações da direita e do centro em um eventual segundo turno.
Essa capacidade de articulação do senador é o que mantém o sinal de alerta ligado no Planalto, já que a média das pesquisas até este 07 de maio aponta um empate técnico que não permite cravar favoritismo para ninguém.
A disputa é enérgica e capciosa. Enquanto o atual presidente aposta na sua experiência e memória afetiva do eleitorado, a estratégia de Flávio é capitalizar sobre a rejeição ao governo e se apresentar como uma alternativa viável para quem busca o novo, mas com DNA conhecido.
A eleição dificilmente será decidida no primeiro turno e o destino do país parece estar nas mãos daqueles que ainda não escolheram um lado nessa guerra de convicções. O que se vê nas ruas não é apenas uma escolha política, mas um país rachado onde cada voto conquistado no corpo a corpo vale ouro.
