Quem engana menino besta é Papa-figo: Entre Álvaro, Allyson e Cadu, o único derrotado por enquanto é a credibilidade das pesquisas.


No Rio Grande do Norte, o povo costuma dizer que "quem engana menino besta é Papa-figo", mas o eleitor potiguar de besta não tem nada e anda com uma pulga enorme atrás da orelha diante do atual cenário das pesquisas para o governo do estado.


A realidade do mercado eleitoral local virou uma verdadeira torre de Babel: o que se vê nas ruas e nas redes é uma enxurrada de números que, em vez de trazer a tão esperada tendência de voto, parecem falar línguas completamente diferentes, servindo mais como desinformação do que como um guia confiável para o cidadão.

Quando os levantamentos vêm a público, a discrepância assusta e deixa qualquer um confuso, com um instituto desenhando uma disputa acirrada, outro colocando Álvaro Dias (PL) na liderança isolada, um terceiro apontando a vitória de Alysson Bezerra (União Brasil) ainda no primeiro turno e, correndo por fora, levantamentos que mostram Cadu Xavier (PT) em forte crescimento e empatado tecnicamente com os demais.

Quem acompanha os bastidores da política e tem anos de experiência na imprensa sabe muito bem que, embora essas pesquisas cumpram o rito formal de registro na Justiça Eleitoral, existem "mágicas" metodológicas e escolhas de amostragem que parecem moldadas sob medida para inflar determinadas candidaturas, funcionando frequentemente mais como peças publicitárias bem disfarçadas do que como retratos fiéis da realidade.

É inadmissível que, num momento tão crucial, a maior parte dos institutos não consiga convergir para uma mesma direção, obrigando o eleitor a encarar esses dados com extrema cautela e um ceticismo saudável, já que a fiscalização oficial muitas vezes falha em conter distorções absurdas e metodologias questionáveis.

Por tudo isso, a máxima de que não existe campanha ganha nem perdida (antes da aberturas das urnas) nunca fez tanto sentido, e o melhor conselho para o cidadão agora, antes que as candidaturas sejam homologadas e as urnas de fato comecem a esquentar, é ignorar o bombardeio de porcentagens milagrosas e esperar o jogo começar de verdade para tentar enxergar para onde o vento da opinião pública potiguar está soprando.