Havia uma enorme expectativa em torno do pronunciamento de Flávio Bolsonaro após a apuração das urnas ainda na noite deste domingo (25).
Visto por muitos como o integrante mais moderado do núcleo familiar bolsonarista, esperava-se dele uma postura de maior maturidade política. No entanto, ao fim do resultado oficial, o senador agiu como um mau perdedor ao contestar a eleição e alegar "sacanagem" por conta da prorrogação de duas horas no horário de votação.
Sem respaldo jurídico ou munição factual, sua investida para anular o pleito não tem chances de prosperar e funciona apenas como um teatrinho para inflar a militância e disfarçar a frustração do resultado.
A postura de Flávio escancara um contraste marcante com tradições democráticas consolidadas, como a dos Estados Unidos. No sistema americano, é praxe o candidato derrotado ligar para o vencedor para reconhecer a disputa.
Quando o perdedor é o próprio presidente em exercício, o rito exige que ele compareça à posse e passe o cargo de forma pacífica, colocando o respeito às instituições acima de vaidades pessoais.
No Brasil, embora esse gesto não seja a regra geral, a maturidade republicana não é impossível. O caso do Rio Grande do Norte exemplifica isso: após a derrota, Alysson Bezerra fez questão de telefonar para Cadu Xavier, parabenizando-o pela vitória e desejando sucesso ao novo governo.
Para a extrema-direita brasileira, contudo, esse tipo de elegância parece algo inalcançável. O hábito de só considerar legítimo o pleito quando saem vitoriosos revela a fragilidade do seu respeito à República.
A democracia brasileira sobreviveu a mais esse teste, mas a construção de uma política em que os adversários e o resultado das urnas sejam plenamente respeitados continua sendo uma luta diária.
