A eleição para o Governo do Rio Grande do Norte consagrou uma das viradas mais marcantes da política potiguar. Em uma disputa que começou cercada de incertezas, Cadu Xavier (PT) superou a candidatura de Allyson Bezerra (União Brasil) e foi eleito governador no segundo turno.
No primeiro turno, Álvaro Dias (PL) ficou pelo caminho, enquanto Cadu avançou para a etapa final colado na liderança do adversário. Na votação deste domingo (25), 2.229.510 eleitores compareceram às urnas no estado, com abstenção de 16,07% (426.776 eleitores).
Visto inicialmente como o azarão do pleito, Cadu construiu sua musculatura eleitoral ao longo do processo. Um passo estratégico fundamental foi adotar a alcunha de "Cadu de Lula", apoiando-se diretamente na força política do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para se conectar com a base eleitoral do estado.
Esse alinhamento se refletiu nas urnas: no Rio Grande do Norte, Lula somou 1.412.681 votos contra 736.851 de Flávio Bolsonaro (PL), inclusive sendo reeleito presidente com 51,76% dos votos válidos nacionalmente. Movidos pela garra da militância petista, Cadu e seus apoiadores mantiveram a campanha viva até o momento decisivo.
A etapa final foi marcada pelo forte acirramento. Mesmo diante da migração de prefeitos que haviam apoiado Álvaro Dias no primeiro turno para a chapa de Allyson Bezerra no segundo, Cadu manteve o ritmo junto ao eleitorado.
Na apuração oficial do TSE, Cadu Xavier obteve 1.073.024 votos (50,77%) contra 1.040.399 votos (49,23%) de Allyson Bezerra. A maioria a favor do petista foi de 32.625 votos, ratificando a força do voto livre e do "efeito Lula" em solo potiguar.
O resultado fecha o ciclo com a consagração política da governadora Fátima Bezerra (PT). Além de fazer o próprio sucessor com a vitória de Cadu no Executivo, o grupo comemora a eleição de Samanda Alves (PT) para o Senado Federal e a consolidação de uma bancada forte na Assembleia Legislativa.
