Com o fim da apuração no Rio Grande do Norte e uma diferença de apenas 1,54%, surgem as leituras apressadas de lado a lado.
Prefeitos e prefeitas que apoiaram Allyson Bezerra passam a ser injustamente cobrados por derrotas locais, enquanto diretórios municipais do PT - com pouca expressão em pleitos da cidade - já projetam forças para 2028.
No entanto, usar o resultado estadual para julgar a política local é ignorar como o eleitor realmente decide o voto. A articulação de Allyson com os gestores funcionou nos grandes centros.
Com apoio das lideranças locais, ele venceu nos cinco maiores municípios: Natal (com frente de mais de 25 mil votos ao lado de Paulinho Freire), Mossoró, Parnamirim, São Gonçalo e Macaíba.
A virada que deu a vitória a Cadu de Lula (PT) ocorreu no interior do estado, puxada não por diretórios municipais, mas sim pela presença marcante do "Efeito Lula". O próprio uso da alcunha "Cadu de Lula" escancara qual foi a grande força desse resultado.
Crucificar prefeitos por não conterem uma onda de apelo nacional no interior é cobrar uma capacidade de transferência de votos que nenhum gestor isolado possui. Da mesma forma, é uma ilusão que dirigentes locais do PT atribuam essa votação à sua própria musculatura política.
Em 2028, nas eleições municipais, a conta será outra: o eleitor vai cobrar calçamento, posto de saúde, serviços e a realidade de cada rua, e não disputas nacionais.
Ainda nem terminamos 2026 e a turma já quer adivinhar 2028. Nem o próprio Cadu pode atribuir a si uma capilaridade que foi fruto da imagem do presidente Lula.
Portanto, fazer previsões precipitadas sem entender a diferença entre uma eleição estadual e uma municipal é um erro. O momento pede prudência, cabeça fria e respeito às dinâmicas próprias de cada momento da política potiguar.
