O grupo governista inicia 2026 mergulhado em uma indefinição que pode mudar o comando do Rio Grande do Norte antes das eleições.
O impasse é público: para disputar o Senado, a governadora Fátima Bezerra (PT) precisa renunciar em abril, mas o vice-governador Walter Alves (MDB) tem deixado claro que não pretende assumir a cadeira. Ele já externou que a situação financeira do Estado é caótica e não quer assumir a responsabilidade por um governo com contas no vermelho e dificuldades de pagamento em pleno ano eleitoral.
Se Walter recuar para focar em uma candidatura ao Legislativo, e o presidente da Assembleia, Ezequiel Ferreira (PSDB), também declinar para buscar sua reeleição - evitando o desgaste de um "mandato tampão" em meio à crise fiscal -, o estado terá, obrigatoriamente, uma eleição indireta realizada pelos deputados estaduais.
Essa paralisia na situação é o combustível que a oposição precisava para avançar. O prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil), aparece liderando as pesquisas com uma estratégia agressiva de interiorização, seguido de perto pelo senador Rogério Marinho (PL), que consolida a base conservadora no estado.
No Alto Oeste e em Pau dos Ferros, os desdobramentos dessa crise no Centro Administrativo são monitorados com lupa. A falta de um comando definido gera insegurança sobre obras regionais e a liberação de emendas. Lideranças políticas da nossa região, que hoje equilibram apoios, começam a recalcular a rota: ninguém quer estar em um palanque que demonstra fraqueza enquanto a oposição ganha musculatura.
O termômetro para o eleitor pau-ferrense será o ritmo de visitas e investimentos neste primeiro trimestre; eles dirão quem ainda tem o controle do estado e quem está perdendo terreno.
