Palanque não substitui trabalho: quem cuida das cidades enquanto os prefeitos pedem votos?


A chegada do período eleitoral costuma alterar a rotina de muitos municípios no Rio Grande do Norte, mas acende um alerta quando a movimentação política passa a se sobrepor aos compromissos da administração pública.


Em diversas cidades potiguares, moradores e lideranças locais têm notado que a atenção dos gestores virou prioritariamente para os palanques, enquanto demandas essenciais da comunidade continuam aguardando encaminhamento.

O descontentamento cresce no momento em que cobranças por melhorias ou soluções de problemas urbanos passam a ser tratadas como se fossem meros ataques de oposição, ignorando que cobrar eficiência do Poder Executivo é um direito legítimo e uma obrigação de qualquer cidadão.

Participar ativamente de campanhas, buscar alianças e pedir votos para os candidatos apoiados faz parte do processo democrático e é um direito de prefeitos e prefeitas. O grande problema surge quando a dedicação à corrida eleitoral transforma a Prefeitura em assunto secundário.

Quando a divulgação das ações institucionais e as entregas da gestão caminham lado a lado com a presença política junto ao eleitorado, o trabalho se complementa e fortalece a imagem do governo. Por outro lado, priorizar excessivamente as agendas de rua e os comícios faz com que a máquina pública perca o ritmo, deixando pendências acumuladas nos postos de saúde, na infraestrutura e na prestação de serviços básicos.

Essa situação ganha contornos ainda mais delicados no caso dos gestores que cumprem o segundo mandato. Sem a necessidade de disputar a própria reeleição, o risco da acomodação se torna uma armadilha real. Se no primeiro ciclo a dedicação precisa ser total para demonstrar resultados e garantir a aprovação popular, o mandato final exige o mesmo nível de compromisso até o último dia.

Deixar a rotina administrativa de lado durante a campanha transmite à população a incômoda impressão de descuido e relaxamento com a cidade. Equilibrar a presença nos palanques com a responsabilidade de gerir o município é o único caminho para respeitar o voto recebido e garantir que o interesse público permaneça sempre em primeiro lugar.