Álvaro Dias anuncia apoio de 91 prefeitos, mas história do RN revela que de João Faustino a Henrique Alves muitos "caciques" foram tombados pela força do voto livre do eleitor.




Ao se gabar publicamente de já contar com o apoio de 91 prefeitos para sua futura campanha ao Governo, o ex-prefeito Álvaro Dias comete o erro clássico da soberba: acreditar que o voto do cidadão pertence ao líder local. 

No Rio Grande do Norte, o histórico das urnas é um verdadeiro cemitério de candidatos que se achavam invencíveis por dominar os palanques municipais, mas acabaram esquecendo que, no dia da eleição, quem aperta o botão é o eleitor e não o prefeito.

A história potiguar está cheia de exemplos que servem de aviso. Em 1986, João Faustino era o favorito absoluto, cercado pela grande maioria dos prefeitos, mas acabou atropelado pelo "Vento de Mudança" de Geraldo Melo. 
 
Anos depois, em 2002, o roteiro se repetiu com Fernando Freire, que tinha a máquina do governo e mais de 130 prefeitos ao seu lado, mas foi derrotado pela força popular de Wilma de Faria. 

Nem mesmo nomes de peso como Garibaldi Filho escaparam dessa lição em 2006, quando sua aliança gigante de 140 prefeituras não foi suficiente para vencer o "povo de Wilma" nas ruas.

O exemplo mais marcante para essa contabilidade de prefeituras ocorreu em 2014. Naquele ano, Henrique Eduardo Alves montou a maior estrutura política que o estado já viu, com o apoio recorde de 150 dos 167 prefeitos. 

Do outro lado, o azarão Robinson Faria tinha apenas 8 prefeitos. O resultado foi uma surra nas urnas que mostrou, de uma vez por todas, que o eleitor não aceita ser guiado como rebanho.

Portanto, no nosso estado, o apoio de um prefeito pode até ajudar na logística de uma carreata, mas muitas vezes provoca o efeito reverso. O eleitor, para mostrar independência e protestar contra a imposição do "coronel" local, vota justamente no candidato oposto. 

Álvaro tem os números, mas a história avisa que, sem o voto de opinião e a conexão real com o povo, 91 prefeitos não passam de um detalhe sem valor na hora da apuração.