Embora o trabalho de investigação seja fundamental para a democracia e deva ser respeitado, é impossível não notar como o foco das manchetes se voltou quase exclusivamente para Mossoró. Essa concentração de atenção gera um questionamento natural: por que, em uma operação que envolve tantas cidades e empresas, o alvo principal das atenções é justamente o prefeito que lidera todas as pesquisas de intenção de voto para o Governo do Estado?
No Brasil, já vimos esse filme antes. O momento em que as chapas e pré-candidaturas estão sendo fechadas costuma ser solo fértil para ações que, sob o manto da burocracia, acabam servindo de munição para grupos políticos que não conseguem vencer no voto.
Em vídeo publicado nas redes sociais, o prefeito Allyson Bezerra agiu com transparência: recebeu os agentes, colaborou voluntariamente e entregou seus equipamentos pessoais, deixando claro que sua gestão foi a que mais criou travas contra desvios, como o uso obrigatório de sistemas federais para rastrear medicamentos. A defesa do prefeito reforça que não há nenhum fato que o ligue pessoalmente a irregularidades de fornecedores. É fundamental destacar que Allyson não foi afastado nem sofreu qualquer medida restritiva, seguindo com sua agenda de trabalho normalmente.
O eleitor precisa estar atento para não cair em armadilhas de grupos radicais - seja de esquerda ou de direita - que tentam transformar uma coleta de informações em uma sentença de culpa. O uso político de investigações para tentar "assassinar a reputação" de quem se destaca é uma prática que o povo potiguar já conhece.
Quem hoje celebra o barulho da operação contra um adversário forte deve ter cautela, pois o sistema é implacável com qualquer um que ameace os interesses estabelecidos. O momento não é de julgamentos precipitados, mas de serenidade para separar o que é dever da justiça do que é estratégia de bastidor para desgastar quem lidera a preferência popular.
