De alvo a favorito: Como operações fora de hora costumam carimbar o passaporte de quem o sistema quer frear.


A operação da Polícia Federal e da CGU que percorreu oito cidades do RN nesta terça-feira (27) cumpriu seu papel institucional de fiscalizar. Investigar contratos de 2023 é um dever técnico; o problema, porém, nunca é a investigação em si, mas o "relógio" de quem aperta o botão para deflagrá-la.


Em pleno ano de definições de chapas para o Governo do Estado, ver o líder das pesquisas, Allyson Bezerra, como o rosto principal de uma operação sobre fatos antigos, soa, no mínimo, curioso para quem conhece os bastidores do poder.

O sistema, que muitas vezes se acha bruto, pode acabar sendo vítima da própria pressa. Enquanto adversários e figuras como o vereador Cabo Deivison comemoram o barulho das viaturas, o eleitor potiguar - que não é bobo - começa a sentir o cheiro de ativismo judicial encomendado.

A história política brasileira é mestre em mostrar que, quando o povo percebe um "cheiro de perseguição", ele tende a transformar o alvo em vítima e a vítima em herói. Se o objetivo era fragilizar Allyson, o resultado pode ser justamente o contrário: dar a ele a chance de mostrar resiliência e consolidar sua liderança.

O prefeito de Mossoró recebeu os agentes com cordialidade, entregou o que foi pedido e segue trabalhando normalmente, sem qualquer medida restritiva. Se nos próximos dias nada de concreto surgir contra sua conduta pessoal, essa "operação misteriosa" terá servido apenas como um combustível extra para sua pré-candidatura.

O povo gosta de quem trabalha, mas gosta ainda mais de defender quem parece estar sendo injustiçado pelo sistema. Como diz o ditado, o tempo é o senhor da razão, e na política do RN, o tiro costuma sair pela culatra quando a intenção é ditar o voto no grito ou na base do desgaste forçado.