O que o deputado federal João Maia antecipou tempos atrás deixou de ser especulação para virar fato: o "combinado" se concretizou. O vice-governador Walter Alves (MDB) oficializou à governadora Fátima Bezerra (PT) que não assumirá o comando do Estado em abril.
Ao abrir mão da cadeira principal para disputar uma vaga de deputado estadual, Walter não apenas evita a "bomba" fiscal do governo, mas sela um novo destino político ao se aliar à União Progressista (União Brasil e PP) e ao PSD, no palanque do pré-candidato a governador Allyson Bezerra.
A decisão expõe o pragmatismo de quem prefere a segurança de uma nominata legislativa ao risco de uma gestão desgastada. Enquanto o MDB já sinaliza a indicação da vaga de vice na chapa de Allyson, o clima no PT é de indignação, com aliados da governadora rotulando o movimento como uma traição calculada.
Contudo, o xadrez é complexo: Walter manteve o apoio ao presidente Lula, criando uma configuração híbrida que desafia as lógicas partidárias tradicionais e deixa o eleitor confuso.
Agora, o Rio Grande do Norte mergulha em uma zona de incertezas que instiga o debate: com a saída de Walter da linha sucessória, como ele se posicionará nos bastidores da eleição indireta na Assembleia para o governo tampão?
Mais do que isso, o silêncio sobre o Senado grita: será que Walter ainda apoiará Fátima Bezerra para Brasília, ou o rompimento administrativo será o primeiro passo para um divórcio eleitoral completo?
Entre o pragmatismo de uns e as acusações de outros, resta saber se a imagem de Walter sairá fortalecida ou arranhada desse movimento que redesenha o futuro do estado.
