Escolhido como o nome do bolsonarismo para a disputa ao Governo do Estado, o ex-prefeito Álvaro Dias (Republicanos) encerrou seu ciclo em Natal enfrentando críticas severas e desafios que agora pautam o debate político. O cenário é marcado por um rastro de obras que, embora inauguradas formalmente, ainda não atendem plenamente a população.
O exemplo mais simbólico é o novo Hospital Municipal, que mesmo entregue no fim de 2024, só deve começar a receber pacientes em abril de 2026. A situação se repete no Mercado da Redinha, onde o investimento de R$ 30 milhões ainda não resultou em um funcionamento contínuo, dependendo de aberturas temporárias enquanto a gestão busca parceiros privados.
Além dos canteiros de obras, a gestão deixou um nó histórico: a licitação do transporte público. O processo atravessou anos de promessas e gastos com consultorias, mas terminou o mandato sem sair do papel, sendo hoje o principal motivo de insatisfação dos natalenses.
Para completar o quadro delicado, o ex-prefeito e seus aliados enfrentam questionamentos na Justiça Eleitoral. O Ministério Público investiga denúncias de abuso de poder político para favorecer nomes como o atual prefeito Paulinho Freire (União Brasil), a vice Joanna Guerra (Republicanos) e os vereadores Daniel Rendall e Irapoã Nóbrega, ambos do Republicanos.
Esses problemas administrativos e jurídicos refletem diretamente na percepção popular. Com uma reprovação que atinge metade da cidade, Álvaro Dias tenta agora equilibrar o apoio do campo conservador com a necessidade de explicar as falhas em áreas essenciais como saúde e mobilidade.
A jornada rumo ao governo estadual será, portanto, um teste de resistência, onde as entregas inacabadas na capital e os processos judiciais servirão de munição para os adversários e de cobrança constante por parte dos eleitores que buscam respostas para os problemas da região.
